A “dança das cadeiras” dos técnicos, tão praticada quanto abominada, parece ter engrenado no returno do Brasileirão, com requintes de crueldade.

Em menos de dois dias já foram mais três demissões na Série A.

No Atlético-PR em recuperação, Renato Gaúcho pediu o boné por motivos particulares, deixando pela metade um bom trabalho.

Joel foi dispensado pela diretoria cruzeireinse depois de campanha irregular e resultados ruins em casa. O treinador teve dificuldades em implementar sua filosofia e os “reforços” também não ajudaram.

No Bahia, Renê Simões cansou de apagar incêndios e sucumbiu a um elenco fraco e problemático formado por refugos de outros clubes. Nem mesmo o conciliador Renê conseguiu lidar com tantas “estrelas” de ego inflado e futebol diminuto.

A incerteza com relação ao comando ronda também outros clubes por motivos diversos. Mesmo aqueles que ocupam boas posições na tabela.

Enquanto não se tem certeza da possibilidade de retorno de Ricardo Gomes, o Vasco, a princípio, estaria também sem técnico. A opção de contar com o auxiliar Cristóvão como interino parece ser a mais lógica, tanto na parte técnica (já conhece o grupo e a filosofia) quanto econômica. Não que a lógica seja consultada nesses casos.

No Atlético-MG, Cuca está na corda bamba desde que chegou. Se a situação na tabela já era preocupante, as derrotas nas primeiras seis partidas soaram como um péssimo cartão de visitas. O time vem dando sinais de melhora, resta saber quanto tempo durará a paciência de diretores e torcedores. A pressão é grande e todos sabem quem normalmente é crucificado nesses casos…

No São Paulo o time parece que joga segundo à sua vontade, assim como nos tempos de Carpegiani, dificultando a vida de Adilson Batista. Não se vê o dedo do treinador em nada e o nível de exigência é alto. Rezar para a boa fase de Dagoberto, Casemiro e Lucas continuar.

Não tivesse protagonizado o papelão de jogar fora o planejamento de um semestre (incluindo a disputa da Libertadores) para esperar pela chegada de Abel Braga, a diretoria do Fluminense já o teria demitido há tempos: A campanha do atual campeão é extremamente irregular, o time não possui padrão tático e o treinador não está nem perto de justificar o investimento. Por outro lado, o elenco equilibrado ainda dá esperanças ao torcedor tricolor e seu uso correto pode dar sobrevida ao “professor”.

Vanderlei Luxemburgo sai de um agosto turbulento dentro de campo aparentemente ileso, principalmente com a diretoria. Resta saber quanto de paciência o “manager” ainda tem para lidar com a pressão constante do Flamengo, onde fracassos e conquistas têm seus efeitos sempre multiplicados por dez.

Mas nenhum dos técnicos do campeonato lida com tanta pressão quanto Tite.

Sobreviver à perda do Brasileirão 2010, à eliminação na pré-Libertadores e à derrota no Paulista parecia impossível para qualquer treinador. Mesmo criticado pela torcida, e pela própria diretoria corinthiana na figura do presidente Andrés Sanches, Tite vem sobrevivendo.

Muitas são as crises, algumas inventadas e plantadas por seus superiores, mas a figura de Tite na beira do gramado é sólida como a campanha do time no Brasileiro. Ao mesmo tempo em que desagrada empresários e fãs do jogo bonito, o treinador se mantém fiel ao elenco, o que garante seu apoio.

Mas há tempos não se via treinador sob tamanha pressão, mesmo que os resultados nem sempre justifiquem a mesma. Detalhes cruéis de uma dança das cadeiras que nem sempre está relacionada ao que é melhor para os times.

Hora de partir

Publicado: agosto 31, 2011 por Fernando em CBF, Copa 2014, Política

Do blog do Juca Kfouri:

Ainda no blog, Orlando Silva também mostra porque precisa dar adeus o quanto antes:

Governo dá R$ 6 mi a cartolas e projeto para cadastrar torcida não sai do papel

“O governo federal repassou R$ 6,2 milhões a um sindicato de cartolas do futebol para um projeto da Copa do Mundo de 2014 que nunca saiu do papel.

Sem licitação, o Ministério do Esporte contratou o Sindicato das Associações de Futebol (Sindafebol), presidido pelo ex-presidente do Palmeiras Mustafá Contursi, para fazer o cadastramento das torcidas organizadas dentro dos preparativos para a Copa.

O contrato foi assinado no dia 31 de dezembro de 2010 e todo o dinheiro liberado, de uma vez só, em 11 de abril deste ano. O projeto, porém, jamais andou.

O Ministério do Esporte foi célere em aprovar o convênio, entre novembro e dezembro de 2010, com base em orçamentos e atestados de capacidade técnica apresentados pelo sindicato.

O Estado obteve os documentos. O negócio rápido e milionário teve um empurrão oficial de Alcino Reis, assessor especial de futebol do ministério e homem de confiança do ministro Orlando Silva (PC do B) – de quem é correligionário no PC do B.

Matéria completa:

http://blogdojuca.uol.com.br/2011/08/governo-da-r-6-mi-a-cartolas-e-projeto-para-cadastrar-torcida-nao-sai-do-papel/

“Meio caminho andado.” A frase mais repetida desta segunda-feira nos programas esportivos destacando o fim do primeiro turno no Brasileirão 2011.

Os mais chatos dirão que na verdade o turno ainda não acabou pois o Santos ainda tem jogo remarcado por jogar contra o Grêmio, mas a verdade é que já podemos dizer que foi um turno muito disputado, a situação econômica explica e a tabela comprova.

A renegociação das cotas dos direitos de transmissão e o loteamento das camisas (os “macacões de F1″ proliferam) aumentaram sensivelmente as receitas dos clubes da Série A neste ano. Os clubes tradicionalmente de maior poder aquisitivo foram os mais beneficiados, reforçando sua condição frente aos “menores”.

Contratações milionárias e a manutenção de grande parte dos elencos frente à janela européia são marcas deste ano. Oportunidade rara de ver diversos bons jogadores, e alguns craques, desfilando seu futebol pelos gramados nacionais. E alguns candidatos a protagonista sequer estrearam!

Talvez a maior perda, no geral, foi a saída de Conca para o futebol chinês. Prova de que ainda é difícil fazer frente às propostas surreais dos mercados emergentes que se juntam aos petrodólares do Oriente Médio como vilões a rondar insistentemente. Com ou sem crise.

Porém, nunca antes os clubes brasileiros se viram em posição econômica tão vantajosa, ao ponto de endurecer negociações com o exterior. A valorização do Real após a crise de 2008 contribuiu de maneira importante para isso. Se essa fase de afluência é apenas uma bolha no revolto mar da economia mundial, só o tempo dirá.

O fato é que este primeiro turno nos contemplou com bons elencos e bons times. Algumas equipes ainda não encontraram seu rumo, caso de Cruzeiro, Internacional e Fluminense, disperdiçando pontos e potencial. Podem ser os fiéis da balança, decidindo o campeonato com suas trajetórias incertas.

O histórico do Brasileirão já nos mostrou que reviravoltas são possíveis, é bom não esquecer que apesar da inconstância não estão assim tão distantes dos líderes.

Testemunhamos também campanhas sólidas nesta primeira metade, seja na ponta ou na rabeira da tabela.

América, Atlético e Avaí parecem apenas esperar a hora da degola, apesar da torcida e do elenco do Galo. Resta ao povo de cima evitar dar qualquer chance de ressurreição, mesmo que tardia.

Corinthians, Flamengo, São Paulo, Vasco e Botafogo mostram que têm time, têm elenco, têm camisa e têm estrela. Pontuam bem, quando não, seus rivais também tropeçam. Justificam o alto investimento fazendo boas partidas dentro e fora de casa. Mas ainda assim é cedo para dizer que desse grupo sairá o campeão.

Ainda é cedo, chegamos à metade.

Ainda falta a resposta definitiva, mas só a atitude já é digna de nota.

O vice-presidentee do Fenerbahçe, gigante do futebol turco e atual campeão, enviou pedido à Federação Turca para que o clube dispute a segunda divisão na próxima temporada.

Por que?

O clube (provável ex-clube) de Alex e Lugano se vê envolvido no maior escândalo da história do futebol turco. Seu presidente e outras 30 pessoas entre dirigentes e jogadores, estão presos, acusados de estarem envolvidos em um esquema de compra de resultados em 19 partidas na última temporada.

Difícil saber se há nobreza ou outro interesse qualquer por trás de tal gesto. Mas o fato é que as Justiças Comum e Desportiva brasileiras têm muito a aprender com os exemplos vindos da Turquia.

Apesar de as investigações terem começado a cerca de dois meses, pouco tempo se formos considerar as ramificações do caso, muita gente já está presa de forma preventiva para que não deixe o país. O famoso habeas corpus brasileiro, destruidor da moral da Justiça, passa longe da Turquia pelo menos neste caso.

Outro exemplo a ser seguido é o tratamento sem distinção destinado aos peixes pequenos (jogadores) e tubarões-baleia (altos dirigentes e presidentes dos grandes clubes) ao longo das investigações. Em nome da transparência o corte na própria carne do futebol turco foi profundo.

A maracutaia parece sofrer uma dura derrota no país euro-asiático. Difícil não imaginar quantas cabeças rolariam, e qual seria o impacto disso, caso houvesse uma única investigação séria no nosso futebol.

link para a matéria:

http://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/futebol-turco/noticia/2011/08/fenerbahce-pede-para-ser-rebaixado.html

Subidas de sexta 26/8 #1 – Gol da liberdade de expressão

Publicado: agosto 26, 2011 por Fernando em CBF, Política

Foi chorado, mas foi…

O Ministério Público Federal de Santa Catarina finalmente deu o ar da graça no caso da proibição imposta pela Federação Catarinense de Futebol aos protestos contra Ricardo Teixeira nos estádios locais.

Segundo o Globoesporte.com (grifos meus):

“(…)o comunicado (da proibição aos protestos) não foi bem recebido pelo MPF-SC, que, através do procurador Mário Sérgio Ghannagé Barbosa e do defensor público João Vicente Panitz, entrou com uma ação civil pública para que a justiça conceda uma liminar contra a medida.

- É censura, não há respaldo legal. É uma determinação abusiva que ressucita a ditadura no estado de Santa Catarina. Ela fere a democracia e o direito de exercer a crítica. Chega a ser tragicômico – classificou o procurador, que promete ações mais duras.”

O caso:
A Federação Catarinense de Futebol havia instituído um comunicado proibindo manifestações (cartazes, faixas, cantos) contra Ricardo Teixeira nos estádios de SC após uma suposta movimentação das organizadas de Figueirense e Avaí nesse sentido.

A tal proibição se apoiava, débilmente diga-se, no Estatuto do Torcedor, e se tornou rapidamente alvo de manifestações em defesa da liberdade de expressão.

O MPF-SC está de parabéns por defender o exercício de um direito primordial. Já a FCF deveria lembrar-se do que a História nos ensina sobre vozes caladas pelo uso da força.

link para a matéria completa:

http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2011/08/ministerio-publico-federal-contesta-proibicao-protestos-contra-cbf.html?utm_source=Twitter

Novos alvos

Publicado: agosto 25, 2011 por Fernando em Campeonato Brasileiro, Futebol Paulista

Chega a ser engraçada a entrevista (com ares de campanha eleitoral) de Andrés Sanchez publicada hoje no Globoesporte.com, reproduzida do Diário de São Paulo.

Depois de fuzilar o técnico Tite no famoso caso do “Vou trazer outra m…?”, o mandatário corinthiano agora vira suas baterias para o elenco. Estratégia “inteligente” tendo em vista que estamos chegando apenas à metade de um longo Campeonato Brasileiro.

Acompanhem alguns “highlights”:

“Andrés reclama, vê perda de ‘título ganho’, mas descarta demitir Tite.
‘Estamos perdendo um campeonato ganho de novo’, diz presidente do Corinthians, em entrevista a jornal paulista”

“O presidente do Corinthians, Andrés Sanches, está irritado com a sequência de tropeços da equipe, que venceu apenas um dos últimos cinco jogos. Em entrevista ao “Diário de S. Paulo”, o dirigente se mostrou pessimista com o futuro do Timão no Brasileirão, “um campeonato que estava ganho”.

Andrés descartou a demissão do técnico Tite e deu a entender que alguns atletas caíram de rendimento. Sem citar nomes, o dirigente disse que “jogador é muito bom na hora de pedir, mas fica cheio de mi-mi-mi quando tem de treinar ou jogar”.

- O Tite erra e acerta como todos os treinadores. O problema são os jogadores, que perdem um jogo como o do Figueirense (2 a 0, no Pacaembu). Também não consegui engolir o empate com o Ceará (2 a 2 no Pacaembu) e a derrota para o Avaí (3 a 2, em Florianópolis) – disse Andrés.”

“O presidente do Corinthians afirmou que não se mete nas escalações. Mas deixou muito claro que, quando julga necessário, se faz presente e demonstra sua insatisfação.

- Só reclamo quando marco reunião. Eu sei que os jogadores são seres humanos e têm altos e baixos, mas não pode: estamos perdendo um campeonato ganho de novo – disse ele, lembrando que, ano passado, o Timão também liderou o Brasileiro por um bom tempo.

Além do Corinthians, Andrés aponta como favoritos ao título o Flamengo, o Vasco, o Botafogo e o Cruzeiro. O dirigente descarta o São Paulo porque “tem problema de desfalques”.

Andrés está ansioso porque o Brasileirão é o último título de sua gestão, que se encerra em dezembro. Ele garantiu que não vai ocupar nenhum outro cargo no clube depois disso e afirmou que, se pudesse voltar no tempo, não teria se tornado presidente do Corinthians.

- Paguei um preço muito alto por me ser uma pessoa pública. Ou me chamam de viado, ou ladrão, ou mau-caráter ou safado – disse Andrés.”

Dois pontos:

1) Liderar o Campeonato Brasileiro antes de seu quarto final nunca foi garantia de nada (Vide os casos de Botafogo, Atlético-MG, São Paulo, do próprio Corinthians, em anos anteriores). O discurso do “campeonato ganho” é para fazer média com a torcida e tirar de si a responsabilidade.

Sanchéz deveria ser um pouco mais inteligente e apoiar seus jogadores nesse momento, e não execrar publicamente aqueles que entram em campo com a camisa do clube que dirige. Jogador não é santo, mas vingativo por natureza.

2)Andrés pode não assumir nem cargo oficialmente na próxima gestão, mas dificilmente ficará longe do clube que virou seu ganha-pão (daí o apelido de “taxinha”). Isso, claro, sem falar de estar de prontidão para ser o “salvador da pátria” do departamente de futebol ao soar da primeira crise.

Deve ser difícil…

Publicado: agosto 23, 2011 por Fernando em Botafogo, Mercado da bola

23 anos.

Há quem diga que é muito novo.

Há quem afirme que já é um adulto.

Todos concordam (em maior ou menor grau) com o efeito das más influências.

Verdade que Jóbson também não está afim de cooperar.

Dura deve ser a vida de seu empresário, pulando de clube em clube pedindo chances para o agenciado.

O patamar vem caindo: Botafogo, Atlético-MG, Bahia…

E ainda diz que teve “14 sondagens” após o afastamento do clube baiano.

http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2011/08/desde-que-saiu-do-bahia-jobson-recebeu-14-sondagens-diz-empresario.html